(23 de março de 2006) - Dois dias de intensos debates e relatos emocionados
das experiências vivenciadas por jornalistas de diversas emissoras de
televisão consolidaram o sucesso do Seminário Esso – IETV de Telejornalismo.
Pela terceira vez consecutiva, a Esso patrocinou o encontro que reuniu
profissionais e estudantes da área nos dias 08 e 09 de maio, no Arte-SESC
Flamengo, e promoveu profunda reflexão das práticas da cobertura
telejornalística às vésperas da eleição do próximo presidente da república.
Realizado pelo Instituto de Estudos de Televisão – IETV, o seminário exibiu
algumas das reportagens classificadas para o Prêmio Esso de Telejornalismo
2005, com a presença dos profissionais que as conceberam. Os jornalistas
puderam expor todo esforço de produção da equipe na elaboração e apuração das
notícias, e responderam às perguntas dos estudantes que lotaram o auditório do
SESC.
Cerca de 300 universitários e profissionais compareceram ao evento, superando
o número de inscrições dos anos anteriores. Na abertura do seminário, o
Diretor de Assuntos Externos, Eduardo Lopes, ressaltou a independência e
transparência na avaliação dos trabalhos inscritos no Prêmio Esso ao longo dos
últimos 50 anos. “O Prêmio Esso é um programa coordenado por jornalistas,
conduzido com 100% de participação de profissionais de jornalismo e
telejornalismo, da mesma forma que as comissões julgadoras e de premiação”,
afirmou Eduardo.
Cada uma das reportagens exibidas durante o evento retrata momentos sociais,
políticos, culturais ou denunciam fatos que ocorreram no país. O trabalho
vencedor do Prêmio Esso de Telejornalismo 2005, “Imbroglione – O
Cidadão Fantasma” revelou a facilidade em transformar um
simples manequim de loja em cidadão brasileiro, gastando cerca de R$ 10 mil.
Em poucos dias, o personagem fictício criado pelos jornalistas Leandro
Cipoloni e Antonio Chastinet portava documentos, com os quais poderia abrir
conta em banco e até constituir empresa. “A cada documento era uma descoberta
nova”, afirmou Antonio Chastinet. Os autores entregaram as informações
recolhidas à justiça, mas segundo eles, após um ano da elaboração da matéria
apenas dois ou três falsificadores foram presos.
As duas reportagens finalistas ao Prêmio Esso de Telejornalismo também foram
apresentadas à platéia: “Caravana do Esporte”,
realizada por Adriana Saldanha, Diretora de Departamento de Documentários
Esportivos da ESPN Brasil, e Ana Moser, Presidente do Instituto de Esporte e
Educação, e “Labirintos do Carvão”, de
Thiago Carvalho, jornalista e produtor do Repórter Record.
“Labirintos do Carvão”, da TV Record, fez um retrato
da extração de carvão, em Santa Catarina. A reportagem revela cidades
subterrâneas com cerca de 100 metros de profundidade e os malefícios causados
pelo carvão ao homem e à natureza. Para Thiago Carvalho, um dos autores do
trabalho, a experiência dentro da mina foi extremamente marcante,
principalmente durante as explosões. “As paredes e o chão tremiam. Sentia o
medo no estômago. Quando a seqüência de explosões terminou, todos nós ficamos
emocionados. Depois foi preciso sair logo de dentro da mina, pois os riscos
eram muito grandes.
A série de reportagens intitulada “Caravana do Esporte”
é o resultado de uma parceria entre a ESPN Brasil, a UNICEF e o Instituto
Esporte e Educação. O projeto levou o esporte como ferramenta de educação para
crianças e adolescentes de municípios de baixo IDH – Índice de Desenvolvimento
Humano.
Cobertura eleitoral em foco
O debate “Telejornalismo e a formação de opinião num ano eleitoral”
reuniu os jornalistas Boris Casoy, considerado um dos maiores ícones do
telejornalismo brasileiro, trabalhou em diversos veículos, dentre eles, a
Folha de S. Paulo e Record; Ricardo Kotscho, editor de conteúdo do Globo
Universidade e ex-secretário de imprensa e divulgação da Presidência da
República em 2003 e 2004; Carlos Brickmann, membro da Associação Brasileira
dos Consultores Políticos (ABCOP) e ex-diretor das campanhas eleitorais de
Paulo Maluf e outros políticos; Chico Santa Rita, consultor em marketing
Político e Estratégia, realizou mais de 100 campanhas, dentre as quais as
campanhas presidenciais de Ulysses Guimarães e Fernando Collor.
Para Boris Casoy falta reformulação da cobertura jornalística eleitoral. “As
emissoras cobrem registros. Horário eleitoral é um monólogo de propaganda. A
população vota em líder carismático e não cobra. Vivemos um sistema de
amordaçamento, com medo de perder as verbas publicitárias do governo.”
Há anos a imprensa retrata a trajetória das tribos indígenas brasileiras. Na
reportagem “Índios – 500 Anos de Resistência”
a equipe de reportagem da TV Câmara visitou aldeias em Dourados (MS) e
Campinápolis (MT) para registrar a atual situação dos índios locais.
Coordenado pela editora-chefe do programa “Bastidores” e mediadora do programa
de debates “Expressão Nacional TV Câmara”, Claudia Brasil, o trabalho mostra a
situação de miséria das tribos locais, a dificuldade que encontram para
assimilar outras culturas, além do processo de perda de sua própria identidade
cultural.
Na seqüência, foi apresentado o “Especial Tekoha”
, produzido pela Rede Cultura. O jornalista Pola Galé falou sobre o trabalho
da equipe durante uma semana em Mato Grosso do Sul, capturando informações e
imagens para mostrar um pouco da realidade dos índios das etnias Guarani e
Kaiwá. A reportagem, além de mostrar a realidade, fez uma análise das causas
que levaram os índios à situação atual.
Ao final, os participantes assistiram à pré-estréia do documentário
“O Filtro da Imprensa”, que retrata os 50 anos do Prêmio Esso
de Jornalismo e promove sucinta descrição da modernização operada na imprensa
brasileira a partir da segunda metade do século 20, e participaram do sorteio
de dez livros do Prêmio Esso, 50 Anos do Prêmio Esso de Jornalismo -
"Uma história escrita por vencedores".
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